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Este artigo é a última parte de minhas aventuras na SWU 2011.

Partes anteriores:
Questão de Honra
Jornada para Paulínia
SWU
Liquidificador

ANTES

Depois que o Alice in Chains terminou, pela primeira vez no dia, a banda seguinte  não começou imediatamente a tocar. Ao invés disso, iniciou-se um interminável hiato prontamente preenchido por gritos e protestos que surgiam da platéia. A sola do meu pé doía tanto que mau podia ficar parado em pé.

O silêncio foi interrompido por um indivíduo envolto na bandeira de Pernambuco. Era o suposto poeta Cacau Gomes, que veio contar uma história desconexa sobre uma biblioteca no Recife. O público, enervado pelos atrasos, chuva (ela mesma) e pelo próprio discurso de Cacau, o “homenageou” em profusão.

Mas o pernambucano não se aperriou, e adaptou as “homenagens” a seu próprio texto. Uma pena ter acontecido deste jeito. Falta de sensibilidade da organização do evento, que abusou da paciência do público e colocou o artista “no fogo”, num momento onde a audiência claramente não estaria receptiva.

DURANTE

Boa sorte a Cacau Gomes e sua biblioteca (se é que ela existe mesmo), mas o importante é que depois disso ele se despede apresentando o FNM, que FINALMENTE entra no palco, ainda sem Mike Patton (vocalista) tocando Woodpecker from Mars, música instrumental do álbum The Real Thing.

A música é interrompida na metade para a entrade triunfal de Mike, cantando Delilah, de Tom Jones. Sempre foi uma tradição da banda, em seus shows, fazer medleys totalmente inesperados de sua música com a de outros artistas. Finda a interrupção, Woodpecker segue até o fim.

Os integrantes, para homenagear o Dia da Umbanda, vieram caracterizados de pais de santo, e Mike Patton veio de Zé Pilintra. Mas as demonstrações de apreço por nossa cultura não pararam por aí, durante todo o show eles falaram bastante em português, teve até poesia com Patton e Cacau Gomes.

Mas a maior surpresa foi cantar uma música inteira (Evidence, do álbum King for a day… fool for a lifetime) em um razoável português. Além disso Mike Patton também mandou uma mensagem para o seu Palmeiras e, quando outro integrante agradeceu ao povo de São paulo, corrigiu: “São Paulo não, Paulínia”.

A íntegra do show você assiste no vídeo do Youtube que ilustra o artigo. Quanto a mim, tudo o que eu guardei de energia ao longo do dia eu botei pra fora nas primeiras músicas. Nesse momento a hélice do liquidificador fui eu, pulei mais que todo mundo e trombei mais que todo mundo.

No final, meu gás acabou e perdi proximidade do palco. Cheguei até a temer não aguentar a próxima agitação e ser derrubado e pisoteado, resolvi então ir comer e assistir o finzinho do show pelo telão mesmo. Foi ao sair que pude ver o quão cheio estava a lugar, tendo de pedir licença para setenta mil pessoas.

DEPOIS

Finalmente pude ir ao banheiro, e assisti o bis comendo e tomando refrigerante. O público ficou um pouco frustrado pela ausência de Falling to Pieces, um dos maiores sucessos da banda, mas para mim não fez diferença, gosto de todas as músicas e até prefiro que toquem as menos conhecidas.

O ônibus partiu menos de uma hora depois do fim do show, ele me deixou na Praça XV e já estava em casa por volta do meio dia do dia 15. Por causa do incidente dos biscoitos, que espalharam na mochila e misturaram com a água infiltrada da chuva, tudo de papel estragou e o resto teve de ser lavado.

No dia seguinte, a sola do meu pé descascou que nem uma cobra. A chuva também cobrou o seu tributo, e fiquei gripado e sem voz pelo resto do mês. Mas a aventura valeu a pena, e eu faria tudo de novo. Aliás, talvez eu faça mesmo, já que 2012 terá uma nova SWU, outra vez em Paulínia.

The End?