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E chega o dia 13 Novembro, véspera da SWU. O ônibus para o evento tem saída marcada para as 1h da manhã a partir da Praça XV, no centro do Rio de Janeiro. Eu preparo a minha mochila e saio de casa com boa antecedência, por volta de 22h. Sei que é cedo, mas não quero correr nenhum risco.

O CAMINHO

É só eu pisar fora de casa que começa a chuva, que virá a ser personagem recorrente desta história. Tive de esperar um pouco, pois o ponto da Dutra que é próximo de minha casa é mal iluminado e os motoristas não gostam de parar lá à noite. Finalmente pego um ônibus que vai direto para a praça.

A chuva fica violenta e, chegando na Avenida Brasil, as ruas já estão começando a alagar. Minha melhor decisão foi sair naquela hora, mais um pouco e as vias ficariam intransitáveis. Eu tentei tirar fotos da enchente de dentro do ônibus, mas sem iluminção elas não saíram direito.

NA PRAÇA XV

O ponto final do ônibus é exatamente no terminal rodoviário da praça. Eu estava tranquilo, pensava que a saída dos ônibus seria exatamente a partir dali. Estranhando a falta de movimentação, perguntei aos despachantes se sabiam algo sobre a excursão, nenhum deles fazia a mínima idéia.

Sou forçado a ligar para a agência de turismo para obter detalhes, pois a praça é imensa e o centro do Rio, de madrugada, não é lugar para se passear. Na verdade, eu tinha medo de expor meu caríssimo smartphone naquele lugar e hora, mas como não restava opção, liguei para o meu contato.

A saída é partindo do prédio da Alerj“, disse ela. Mais uma vez tento me orientar com a ajuda dos despachantes, sem sucesso. Nenhum deles sabia como chegar no tal prédio, muito menos o punhado de pessoas que ali esperava seu ônibus ou exercia outra atividade.

Parti então para o momento mais perigoso de toda a minha aventura: cruzei a Praça XV deserta, à meia noite e debaixo de chuva à procura de um prédio que eu não fazia idéia onde ficava. Talvez a chuva tenha sido até sorte, debaixo dela eu, perdido que estava, não chamava atenção indesejável.

Em meio a toda escuridão, vislumbrei um ponto de ônibus em uma esquina onde uma barraquinha vendia biscoitos e alguns trabalhadores tentavam ir para casa. Me informei com o camelô, que finalmente apontou a estátua do Tiradentes dizendo que meu destino era em frente a ela. Comprei dois pacotes de biscoito.

ALERJ

Sim, eu conhecia o prédio da Alerj, Já tinha passado em frente centenas de vezes, só nunca prestei atenção no nome. Não fossem as circunstâncias adversas, o teria achado  sem maiores dificuldades. Mais um belo exemplo da arquitetura do centro da cidade que admiro tanto.

Fui um dos primeiros a chegar, quem lá estava se abrigava da chuva na entrada do prédio, única parte coberta. O espaço não demorou a ficar cheio, pois na verdade a caravana para o festival de Paulínea contava com dez ônibus, sendo que o meu seria o décimo.

Uma situação insólita, das mais dignas de figurar em meus relatos, ocorreu neste momento: um mendigo chegou em frente à porta, pediu licença (de certa forma expulsando quem lá estava), explicou que usava aquele espaço como “cama” fazia oito anos, colocou seu agasalho, deitou e dormiu.

Os ônibus, que aparentemente viriam de lugares diferentes, demoraram a chegar. Certamente por conta da chuva, que também deve ter sido o motivo de várias pessoas terem faltado. De qualquer forma esperamos até as 3h da manhã aproximadamente, quando o comboio partiu rumo à São Paulo.

A espera valeu a pena, foi o melhor ônibus em que já andei. Poltrona super confortável, ar condicionado potente e exibição de DVD. Enquanto deixávamos o Rio, a TV passava o DVD de um show do Faith No More. Sorri, sabendo que um sonho antigo estava muito perto de virar realidade.

To be continued…