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Dona aranha subiu pela parede

Veio a chuva fina e a derrubou

A chuva já parou e o sol já vai surgindo

Dona aranha na parede vai subindo

Estava eu, em meu quarto, pacificamente, cumprindo meu dever cívico de extirpar a praga perpetradora da dengue de minha residência. Fazia uso de minha arma de destruição em massa de insetos, e já tinha ‘torrado’ tantos que o quarto estava começando a ficar com cheiro de queimado.

De repente, percebo uma grande quantidade de ‘inimigos’ pousada no teto. Subo na cama e parto para a ofensiva. Como é difícil abatê-los pousados, faço movimentos ameaçadores para espantá-los e, quando alçam vôo, os arrebato impiedosamente. Assim é a guerra.

Nesse momento, algo atrai minha atenção: um mosquito parece dançar em pleno ar, debatendo-se, mas sem sair do lugar. Descubro que não sou a ameaça mais imediata à sua vida, ele está preso a uma teia de aranha bem no vão entre o trilho da cortina e o teto, e parece que não sairá dali vivo.

Suponho que, para a maioria das pessoas, este evento seria interpretado como a descoberta de um novo inimigo maior e mais terrível, uma aranha assustadora e peçonhenta espalhando teias pegajosas pela minha casa e pronta para passear com suas perninhas peludas por cima de mim enquanto durmo.

Não!

Durante muitos anos, enquanto evoluía nossa civilização, o homem conviveu com variados tipos de animais. O medo de alguns deles; nascido da ignorância, superstição e da pura e simples burrice; fez com que vários fossem removidos ou quase de nosso convívio, facilitando a vida de outros realmente nocivos.

A coruja anuncia a morte,
O morcego chupa sangue,
A lagartixa transmite cobreiro,
A aranha é venenosa, etc.

Todos estes, outrora numerosos, hoje em dia são raros ou inexistentes, pelo menos nas cidades. Enquanto isso, ratos e insetos proliferam como nunca e ameaçam a saúde pública como vetores de doenças. Apenas a malária, transmitida por mosquitos, mata mais de 3 milhões de pessoas a cada ano.

Em 2011, no RJ, ocorreram 160 mil casos (confirmados) de dengue e 131 mortes. Quantas pessoas adoeceram ou até morreram mas não entraram na estatística por não terem recorrido à saúde pública? Em 2012 começa um novo capítulo nesta guerra, devemos mesmo continuar matando nossos aliados?

Não eu. Sun Tzu jamais me perdoaria se fizesse isso. De agora em diante uma nova amiga vai velar o meu sono, me protegendo dos mosquitos no momento que fico mais vulnerável a eles. Falando em sono, já passou da hora de dormir. Boa noite a todos.

Marcos Paulo: boa noite, Charlotte.
Dona Aranha: boa noite, MP.