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Após muitos anos, uns quinze, sem nem pensar em RPG eu ouvi um certo podcast e vi reacender a vontade de jogar. Me animei então em comparecer ao RPG no Bob’s, um evento que mensalmente reúne nerds rpgistas no Bob’s da Tijuca não só para discutir e jogar RPG, como também para cardgames, miniaturas, jogos de tabuleiro, etc.

Depois de apresentações e calorosas discussões sobre a relevância do GURPS, me inscrevi para uma aventura one shot de GURPS Conan. Meu personagem era um Aesir, uma espécie de antepassado dos vikings, uma ótima chance para fazer o meu tipo favorito: o guerreiro muito forte e muito burro, além de matar a antiga vontade de entrar no universo de Conan.

Apareceu outro jogador para ser Aesir também e decidimos que nossos personagens seriam irmãos. Isso era uma vantagem dentro da aventura, mas não combinou com meu plano inicial para o personagem. Como meu ‘irmão’ era extremamente vocal e desbocado, resolvi bancar o mudo e fazer uma versão barbárica de Jay and Silent Bob.

A seguir farei uma breve narrativa que resume os feitos desses dois irmãos, que se desenrolaram em aproximadamente duas horas, ao som da trilha sonora de Conan – O Bárbaro tocando em meu celular. Quem já está acostumado com a fidedignidade de meus relatos não se assuste com monstros e seres fantásticos, trata-se de uma aventura em um cenário de fantasia.

Lógica Circular apresenta:

AS AVENTURAS DE JAY AND SILENT BARBARIAN.

Tudo começou no único lugar onde poderia ter começado: uma taverna. Eu e meu irmão Jay, como bons bárbaros, passamos o tempo com bebidas e mulheres. Em certo momento meu irmão resolve passar o resto de seu tempo da terceira forma favorita dos bárbaros: brigando. Ele discute com alguém e vai resolver lá fora e eu fico com todas as bebidas… e todas as mulheres!

Fiquei meio excluído dos eventos a partir daí, mas de alguma forma as confusões de Jay nos colocaram junto a três desconhecidos na procura de uma adaga mágica. Não me lembro seus nomes nem quem eles eram, atribuo esta aminésia à influência das mulheres (outros diriam que a culpa é da bebida, mas qualquer bárbaro sabe que esta hipótese é absurda).

Eu não sei para onde estávamos indo, mas sei que era o caminho certo pois em dado momento fomos atacados por um bando de inimigos. Não faço idéia se queriam nos impedir de chegar a nosso destino ou se eram reles ladrõezinhos de estrada, só sei que com meu machado eu podia partí-los ao meio, e foi o que fiz… com dois deles!

Os outros membros do grupo não são tão adeptos de amolar suas armas em ossos humanos, tanto que até fizeram alguns dos inimigos de prisioneiros. Humpf! O resto do caminho não teve maiores obstáculos, exceto por unicórnos e elefantes cor de rosa que parece que só eu podia ver. Malditas mulheres de taverna, causam alucinações também!

Chegamos a nosso destino: o mausoléu de um mago maligno. Como a adaga mágica estar desprotegida é bom demais pra ser verdade, mandamos os prisioneiros entrarem primeiro como cobaias. Bem, na verdade sacrifício seria mais apropriado, já que são despedaçados por zumbis, os corpos reanimados de aventureiros que se atreveram a adentrar o mausoléu no passado.

Entrar lá era mesmo perigoso, mas nossos companheiros de aventura têm a brilhante idéia de tacar fogo em uma garrafa de óleo e jogá-la dentro da tumba. Isto iniciaria um incêndio que expulsaria os zumbis da confortável escuridão e os traria para a luz do dia. O plano dá certo e a céu aberto os mortos vivos não têm chance contra o grupo. Só eu ‘mato’ dois deles.

Eliminados os monstros resta entrar no mausoléu para procurar a adaga, mas ainda podem haver perigos e não temos mais prisioneiros, os próximos no ranking das cobaias são… os bárbaros! Nós entramos e vasculhamos as tumbas, para minha sorte eu acho a adaga dentro de uma delas. Sinto-me no direito de portá-la, ainda que lâminas tão pequenas não sejam a minha especialidade.

Nosso sucesso não passou despercebido, eis que surge frente a nós ele, o mago maligno em pessoa. No caminho, entre um unicórnio e um elefante rosa, entreouvi que a tal adaga era a única coisa capaz de derrotar um certo feiticeiro, sei que existe um para cada aventura mas não acho que o surgimento deste seja coincidência.

Apesar de suas palavras ameaçadoras eu ataco com meu machado de guerra, mas tentáculos monstruosos surgem de outra dimensão e me aprisionam. Eu fico dependurado como carne no açougue, mas antes de ser feito em pedaços sou salvo pela lábia de meus companheiros de aventura. Eles convencem o mago que não tinhamos vindo para enfrentá-lo, mas para servi-lo.

O mago, que não sabe que tenho a adaga, está confiante que não há nada que possamos fazer para feri-lo. Ele me liberta, enquanto um a um os membros do grupo provam sua subserviência ajoelhando-se. Satisfeito com a idéia de seguidores que não sejam mortos vivos ele ri sardonicamente enquanto me aproximo e me ajoelho a sua frente.

O que o feiticeiro não esperava é que eu levantasse abruptamente, adaga em mãos, e desferisse um golpe de bem perto. Infelizmente o ferimento é pequeno, mas o verdadeiro dano causado pela adaga não é o corte. O contato com o metal parece quebrar a aura mágica que existia ao redor do bruxo, que lhe protegia de ataques e mantinha sua aparente humanidade.

Ele grita de horror e fúria enquanto sua carne rapidamente parecia descolar dos ossos. Os tentáculos surgem novamente enquanto todos os aventureiros, em uníssono, desferem golpes contra a figura agonizante. “A pérola em seu peito é a origem de seu poder, ela deve ser quebrada”, grita um deles em meio ao assobio de flechas e esguicho de sangue.

O tempo de erguer meu machado é o suficiente para mais uma rodada de ataques desferidos por meus companheiros (um turno). Neste momento, o feiticeiro já não passa de um torso (cortesia do meu irmão) rodeado de sangue e entranhas. A violência  de meu golpe seguinte é tamanha que parte a pérola… e o torso. Uma morte típica do mundo de Conan.

Concluída a jornada os aventureiros se separam e cada um vai para seu canto aproveitar suas recompensas ou seguir o seu próprio destino. Não me pergunte seus nomes pois eu não lembro. É o efeito das mulheres (e não da bebida) da taverna. Falando em taverna sempre que precisar estarei com meu irmão na mais próxima, cercado de bebida… e mulheres.

Sendo uma aventura one shot, ou seja, não fazendo parte de uma campanha não houve distribuição de pontos de experiência. Uma das coisas que me levou a largar o RPG no passado foi exatamente não encontrar um grupo para jogar com quem eu pudesse fazer campanhas e desenvolver os personagens. Terá sido esta a última vez que ouvimos falar de JAY AND SILENT BARBARIAN?